Friday, July 21, 2006

Ar e Água

Meus olhos no espelho
As perguntas,além do reflexo
Lembro,na verdade,apenas não esqueço
Não posso afastar por um momento.

Vejo dois mundos
Um feito de ar e outro de água
O pássaro negro contorna a abóboda do céu
O peixe branco está cravado no coração do mar
Nossos iguais anunciam que não haverá glória.

A seriedade que tem conhecimento do fracasso
Estampada no rosto e em cada palavra
E eu sinto não ter o poder
De construir uma ponte que una
Dois universos que um dia se encontraram
Por um desejo que confiou na precipitada crença
De tudo ser como o último raio de um sol que está
Entre as nuvens carregadas da tempestade que se aproxima.

Violinos,logo uma ventania fechou as cortinas
Separando o sonho e a realidade
Que não fazem diferença enquanto vivemos
Sob a ameaça da dor de crer em vão.

Eu olho pra água azul,e enxergo
Horizontes que ignorei com um orgulho que não era meu
Ousei ter certeza de nunca ficar de frente
Para o que fosse desconhecido e condenado
Voando sobre o oceano quase a pedir
Para que o tiro do caçador atinja meu peito
A única forma de cair e acordar
No universo que não me pertence.

Idéias delirantes sempre se esvaem como o sangue
Que se esvairia ao ser morta...
Talvez eu não aprenda a nadar
Nem tu aprendas a voar.

Se esquecermos,se eu deixar de ter crenças
Quem sabe poderemos um dia mais ser gente
Para construirmos uma ponte momentânea
Que mostre aos nossos iguais
A fusão entre o céu e o mar.

1 Comments:

At 7/22/2006 2:30 PM, Anonymous Anonymous said...

Como prometido, aqui estou...=]

Li a grande maioria dos teus poemas, mas vou comenta-los de um modo geral e não um por um porque acho que vale a pena expor primeiro o que eu percebi de características gerais e, se eu estiver errado, por favor me corrija.
No todo, gostei muito. Tu tens facilidade em perceber algumas coisas da vida e de expressá-las. Tens também um estilo bem marcado, o que é crucial, apesar dele ser distinto do meu. Ainda bem, pois se todas as pessoas enxergassem o mundo como eu, ele não seria divertido...hsauhsuahsuh. Tu dá enfase a matéria, sua corrupção, constante decomposição e o sofrimento que isso traz, além de criticar ideologias/ilusões que grande parte dos seres humanos têm de que isto não aconteça. Concordo plenamente contigo, se acertei a análise. Ultimamente tenho pensado muito nestas coisas, e tenho me espantado como é praticamente impossível, ao menos com o nosso restrito pensamento humano, dar sentido a tudo que existe. Às poucas coisas que consigo dar sentido, são perecíveis, portantando não são verdades absolutas. Para falar a verdade, eu estou com um grande problema para encontrar algo sequer imperecível... Mas por isso prefiro ressaltar a beleza na simplicidade de cada momento e singularidade de cada objeto. Se não podemos ser eternos para sempre, então o sejamos cada momento.

Estas tuas duas estrofes foram as que eu mais gostei:

Se você desse um passo
Em direção a um lugar
No qual jamais pensou em ir
Poderia fazer a sorte perder os limites
Que impõe a cada momento
De uma vida conformada em aceitar
Os contratos assinados pelo destino

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É onde o céu e o mar estão unidos
E há um portal para algum lugar
Lá estaremos abraçados beirando um penhasco
Sem medo do sangue que tinge a espada do destino
Ele nos espera segurando na mão áspera um cajado
Disposto a quebrar todos os vitrais do templo
Onde guardamos nossos corações

Elas conseguem expressar coisas inexpressáveis, isso é poesia.

...droga...fico mto grande...eu começo a escreve e me impolgo...sahsuhaushuahsu...

bjão!
=**********
...quando posta algo novo me avisa
=]

 

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