A canção de todas as tardes
Me sento no cordão da calçadaSob o céu nublado
Na companhia do vento frio
E de perguntas mil
Aquela que vem sempre
Ao redor de um mistério que se foi
E sei que está tão longe
Quanto esteve durante os dias
Que pensei ter esquecido
Mas os sonhos continuavam
Sem eu entender
Talvez agora eles permaneçam
Contra minha vontade
Tento escrever algumas linhas
Que eternizem o que morreu e virou pó
A maçã vermelha da inspiração
Entre minhas mãos enrugadas
Apodrece em segundos quando penso
Que lembrar talvez seja o erro
A doença não pode me fazer viver
Há tantos mortos sorrindo pelas ruas
E desejo estar entre eles
Usufruindo a realidade
Sem estar a beira de um buraco
Onde só os vivos caem
Para provar o gosto da insanidade
Tão doce, que não conseguem se lembrar
Que só o amargo pode curar.
Agora...
Olhe para mim...
Olhe para você...
O nublado do céu
Não há perguntas,não há o que ver
Apenas há o que sentir
O vento,o vento frio
Dessa tarde.


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