Saturday, April 12, 2008

Sobre Criancices e Velhices

*50ª postagem...Então,espero ter caprichado. ^^

Um velho cuja face era lisa
Na secura da voz
Escondiam-se as rugas
Gestos envaidecidos pela solidão

Portas e mais portas
Uma tampa de mogno
Ela batia e batia
Chamava em uma língua
Que ele não falava mas compreendia...

Era sempre tão noite
E as estrelas tão fundas
Provando o azedume das letras
Que se lhe tornavam macias na garganta

Sob a tampa via o velho
A menina enxergou-se nele
Como em uma poça de água turva
Ainda assim reconhecia-se
Em sombra líquida seu rosto flutuava...

Podia ver num espelho de pupilas
A sua imperfeição contornar a dele
Mas era sempre de lá expulsa
Batia,batia e insultava
O velho sabia aquela língua
E no mesmo idioma golpearam-se.

A poça secou,as batidas cessaram
Um pedido ironizado reluziu
Na porta,na tampa,na cova
No silêncio que crianças velhas
Abriram no peito enegrecido do céu.

10 Comments:

At 4/14/2008 11:40 AM, Anonymous Anonymous said...

Otimo post para a data, ficou muito bom a ideia de falar de algo que poucas pessoas percebem o quanto é parecido, todo mundo quer voltar a infancia alguma vez na vida.Parabens novamente

 
At 4/16/2008 4:47 PM, Blogger Pauline said...

Obrigada, querida. Adorei seu post

 
At 4/16/2008 4:49 PM, Blogger 1 said...

Amo muito tudo isso. Voltarei.

 
At 4/16/2008 8:17 PM, Blogger A Better MAN said...

lindo post!

gostei daqui.

boa sorte co o blog.

 
At 4/17/2008 8:30 AM, Blogger Carlos Macêdo said...

Muito legal o post!!

Parabéns

Sempre vou passar por aqui...

=D

 
At 4/17/2008 9:12 AM, Blogger Veiga said...

ótimo texto!

abraço

 
At 4/18/2008 3:13 PM, Blogger Ewan said...

mto bom o texto e mto bem escrito.. ^^

vlw.. o/

 
At 4/18/2008 3:13 PM, Anonymous Anonymous said...

parabéns pelo blog.

 
At 4/26/2008 10:10 AM, Anonymous Anonymous said...

"(...)e de tal maneira irreal, abstrato, que tudo tornara-se possível. Mas era ela um fogo-fátuo, e logo se extinguiu."

Augusto Biskamp

 
At 5/05/2008 7:36 PM, Blogger A Better MAN said...

É profundo, Carol. Não me canso de reler.

 

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