Sobre Criancices e Velhices
*50ª postagem...Então,espero ter caprichado. ^^Um velho cuja face era lisa
Na secura da voz
Escondiam-se as rugas
Gestos envaidecidos pela solidão
Portas e mais portas
Uma tampa de mogno
Ela batia e batia
Chamava em uma língua
Que ele não falava mas compreendia...
Era sempre tão noite
E as estrelas tão fundas
Provando o azedume das letras
Que se lhe tornavam macias na garganta
Sob a tampa via o velho
A menina enxergou-se nele
Como em uma poça de água turva
Ainda assim reconhecia-se
Em sombra líquida seu rosto flutuava...
Podia ver num espelho de pupilas
A sua imperfeição contornar a dele
Mas era sempre de lá expulsa
Batia,batia e insultava
O velho sabia aquela língua
E no mesmo idioma golpearam-se.
A poça secou,as batidas cessaram
Um pedido ironizado reluziu
Na porta,na tampa,na cova
No silêncio que crianças velhas
Abriram no peito enegrecido do céu.


10 Comments:
Otimo post para a data, ficou muito bom a ideia de falar de algo que poucas pessoas percebem o quanto é parecido, todo mundo quer voltar a infancia alguma vez na vida.Parabens novamente
Obrigada, querida. Adorei seu post
Amo muito tudo isso. Voltarei.
lindo post!
gostei daqui.
boa sorte co o blog.
Muito legal o post!!
Parabéns
Sempre vou passar por aqui...
=D
ótimo texto!
abraço
mto bom o texto e mto bem escrito.. ^^
vlw.. o/
parabéns pelo blog.
"(...)e de tal maneira irreal, abstrato, que tudo tornara-se possível. Mas era ela um fogo-fátuo, e logo se extinguiu."
Augusto Biskamp
É profundo, Carol. Não me canso de reler.
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