Friday, September 01, 2006

Sinceridade & Lágrimas

Agradeço a sua sinceridade
Cortante e dolorida
Desenhando sobre o tecido cardiovascular
Flores ao redor da recente ferida
A cor viva das pétalas
Impedindo a cura tão invisível
Suas palavras queimam
A seda rasgada na qual envolvi
O que agora é apenas medo e cinzas
Assoprando o que resta
Do que já era pouco
Sua voz como um eco
Repetindo o conhecido decreto
Amizade que me machuca
Dissolve uma ponta de sonho quebrado
No ácido profético da insensibilidade
Ou seria insanidade?
O real pode não ser o que vemos tão claramente
No claro também existem cantos escuros
Peço que abra meus olhos
Com a luz límpida de uma verdade
Que não pertença aos que só conseguem ver
O óbvio que flutua na superfície da realidade.

1 Comments:

At 9/09/2006 5:57 PM, Anonymous Anonymous said...

Olá dona Carol!!!!

=P

...aqui estou novamente...não postei mais aqui por causa dos problemas q eu tava com a net e o meu modem rebelde, mas agora sempre q puder eu posto...

"Amizade que me machuca
Dissolve uma ponta de sonho quebrado"

Os versos acima são, para mim, os que condensam o conteúdo do poema. A questão principal me parece ser toda a relação que os amigos têm de guia em nossas vidas e o poder de mudança que algumas palavras podem ter em nossas opiniões, sonhos e caminhos.
Não sei se esta foi a tua intenção ou se a interpretação está partindo de mim, mas eu observei uma distinção importante, entre algo que vou denominar sonho e realidade. Este sonho pode ser uma busca, um desejo, uma idéia, um mito. No poema este sonho até não parece ser uma ''fantasia benigna''; parece ser uma reminiscência a qual corroe o eu lírico, ou causa lamento,mas ao mesmo tempo o satisfaz. É engraçado que realmente há coisas na vida as quais nos apegamos, mesmo que elas nos causem sofrimento. O sofrimento é movimento e o movimento nos excita, o que sempre nos leva a um eterno círculo, buscando cada vez mais movimento e, por consequência, sofremos.
O outro conceito importante é realidade. A realidade objetiva, positiva, óbvia (será?), uma visão clara e verdadeira das coisas, apresentada pelo amigo. Essa verdade choca-se com o sonho, e o elimina, o pulveriza, quebrando as estruturas nas quais o eu do poema baseava-se. É uma sinceridade destrutiva, que acaba com o pouco de sentido que ainda damos a determinadas coisas. Porém, partindo de um amigo, ela possivelmente só visa o bem, a felicidade. O grande problema é: será que essa apreensão desse amigo da realidade, da situação, é realmente a verdade? Não seria ele mesmo influenciado pelos seus ''sonhos'' no momento de compreender a situação? Ou será que essa tal realidade existe mesmo, e se existir, o que garante que tenhamos certeza sobre ela?

"O real pode não ser o que vemos tão claramente
No claro também existem cantos escuros"

''Peço que abra meus olhos
Com a luz límpida de uma verdade
Que não pertença aos que só conseguem ver
O óbvio que flutua na superfície da realidade.''

Estes dois trechos foram os que eu mais gostei. Principalmente o de cima...muito bom mesmo.

...e que essa luz límpida de uma verdade exista mesmo. Se não existir, pelo menos que nos divertamos tentando buscá-la. Nem que seja nos sonhos...

bjaum!
=*********
ateh mais

 

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