Tela Condenada
Nuvens de prata envelhecidaFormam o castelo abandonado
A hera cobre a torre mais alta
De onde caem mundos desenhados
Em folhas de papel colorido
A trilha que você seguiu
Sempre esperou para lhe mostrar
Os tons que jamais irão colorir
A tela inacabada que aquele artista
Começou e acabou por deixá-la sem alma
Assim como o próprio corpo vazio
As paredes de pedra enxugaram as lágrimas
Emprestaram cada tijolo para ele
Construir seu novo sorriso
A voz ecoa em um calabouço chamado sonho
E por você jamais será ouvida
Pelas ruas noturnas da realidade
Descendo as escadas para saber do seu confinamento
A dor dos espinhos que outrora foram fios de cabelo
Os mesmos que deslizaram entre os dedos de agora
Salpicados por um sangue incolor
Que se revela quando o veneno ocular goteja
Após a meia-noite ser anunciada pelos relógios
Presa no castelo além das nuvens que assumem
A forma grotesca de um ego coberto pelo veludo lilás
Apenas algumas escadarias até a torre
Um órgão sendo tocado na velha catedral incendiada
Ainda assim sua pulsação é inaudível para o artista
Que absorve seus tons de vinho
O vermelho da aquarela dele tornou-se
Mais vívida e perfumada do que nunca
Porém continua sentado a desenhar
Os mundos mortos aos quais pertence
Sem ao menos se lembrar daquela imagem
Desenhada para esvanecer nos mares do subconsciente
Enquanto você está presa em um silêncio quase mortífero
Por um momento poder-se-ia dizer que é
Uma fotografia em preto e branco
Doando suas cores para quem se esqueceu
Da verdadeira obra-prima.


3 Comments:
Bah,te superaste dessa vez...
è um dos meus favoritos!
Beijos,poetisa!
Tu anda inspirada hein?!
Será que tem motivo especial hehehehe?!
Adorei teu poema, mais uma vez! beijo
Deu uma parada né?! Eu estou tentando retomar o ritmo! Blog atualizado! beijo
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