Púrpura
Um grão de luz púrpuraDesenhando espirais
Que conduzem ao infinito do silêncio
A fumaça murmura
Sobre tornar o tempo perdido
E escurecer esse mundo
Para que meus olhos aceitem
A noite contínua a esconder um vulto
E as gotas de sangue que verteram
Do espelho no qual abandonei meu reflexo
As unhas querem perfurar o vidro
A vergonha de ter aberto
Um buraco para brincar no vazio
Não há caminho que vá tão longe
O medo de ficar sozinha
Vendo o grão de luz púrpura
Tornar-se uma agulha de gelo
Pronto para lançar-se
No emaranhado de minhas veias metálicas
Que uma vez mais derreterão
Como o ouro que se conforma em ser moldado
A luz púrpura vai enfraquecendo
À medida que vou fechando os olhos
Para as flores do cemitério
A minha escuridão é um dia
Muito distante do caminho entre espirais
Que engoliram o grão de poeira que você era.


2 Comments:
Oiiii Carol!!!
=]
...nossa...há tempos não postava. Desculpa ter sumido...mas expliquei jah os porquês...
Começarei falando sobre o nome do poema. Talvez exista um grau de subjetividade na minha opinião, porém, é notável que a cor púrpura frequentemente é ligada à "transcendência", "entorpecimento", "atemporalidade" e "mistério". Ela encanta mas engana, é ''extra-real", aos nossos olhos, parece uma contradição entre ''místico'' e "desejo", no sentido sensorial. Eu encarei deste modo o ''grão de luz púrpura'', pois deve haver uma lógica no uso desta cor em detrimento de qualquer outra.
A primeira coisa a qual reparei no poema é a ''cinematografia'' na qual ele está submerso(...como jah te disse...marca registrada da Carol...®..hsuahsuahsu). É impossível ler o poema sem pensar nesse ponto de luz precipitando, deixando um rastro de fumaça. Além de ser psicodélico e surreal, é simbólico. Também é notável expressões como ''infinito do silêncio'' e ''tornar o tempo perdido'', coisas fisicamente impossíveis, mas que ao meu ver subentendem, em certos aspectos, a eterna necessidade humana de refúgio do mundo, de encontrar algum paraíso ''perfeito'', esta mesma perfeição um conceito humano materialmente impossível criado para alimentar esperanças. Portanto, um dos aspectos destacáveis do poema é essa agonia humana em almejar o inatingível, representada em uma grande repetição de palavras ''negativas''(...silêncio, perdido, escurecer, noite, vulto, gotas de sangue, vazio, sozinha, escuridão...).
Analisando agora passo a passo, a primeira estrofe apresenta o ''grão de luz púrpura'', comparável a um sujeito humano representado simbolicamente, o que fica evidente no último verso ''...que engoliram o grão de poeira que você era.''. As características antes expostas da cor púrpuras podem ser aí enquadradas, além de ser notavel o uso das ''espirais'', algo cíclico, repetitivo e ''nauseante'', além da fumaça, sinal deste ''grão de luz púrpura'' estar em combustão, flamejante, brilho máximo mas em ''autoconsumo''. A fumaça, ou os ecos do brilho dessa luz, fazem uma proposta, tentam seduzir a primeira pessoa a alguma situação (''tornar o tempo perdido e escurecer esse mundo''), esta que a faria conformar-se, aceitar certos fatos. Um destes fala sobre abandonar o próprio reflexo no espelho, o que interpretei como uma ''autonegação'', ou talvez uma negação de seu próprio passado, não sem sofrimento(''evidenciado pelas gotas de sangue...).
A segunda estrofe começa com outra característica tua a qual jah reparei, que é estabelecer uma ligação na primeira frase entre a estrofe passada e a por vir, em uma abiguidade intencional(...ao menos creio ser...shaushuahs). A frase ''as unhas querem perfurar o vidro'' pode remeter à idéia da estrofe anterior, numa busca pelo ''reflexo abandonado'' ou também a impossibilidade(...unhas não tranpõem vidros), associada a vergonha em se ter deixado ''brincar no vazio'', divertir-se em meio a um deserto, querer flores onde só a cinzas, e deleitar-se com isso. Como o próximo verso mesmo conta, ''não há caminho que vá tão longe'', esse brincar no vazio desgartar-se-a com o tempo. Eu poderia entrar naquele meu eterno relativismo e argumentar que o tempo todo ''brincamos com o vazio'', mas isso seria enfadonho e em vão(...shuahsuahsua), além de tirar o sentido de algumas coisas. Posteriormente, é feita uma contraposição entre ''grão de luz púrpura'' e ''agulha de gelo'', uma transmutação, aquela antiga centelha brilhante, misteriosa, entorpecente e encantadora torna-se algo frio, sem movimento nem vida, e que ainda fará a primeira pessoa sofrer, perfurando ''minhas veias metálicas'', e, com isso, corformar-se, submeter-se a modelação imposta por outrem ou pela pressão do mundo, afinal, se há uma certeza, é que pela vida toda carregamos o fardo da nossa própria existência. Eu ainda arriscaria uma hipótese, na qual posso estar errado, mas tive a impressão de que a luz púrpura e seu movimento tem íntima relação com a vergonha em deixar-se brincar no vazio da primeira pessoa, além do que o movimento do ''grão de poeira'' não deixa de ter um quê de ludico. Mas isso é apenas um achar.
A conclusão mostra um enfraquecimento da luz púrpura condicionada ao ''fechar os olhos'' da primeira pessoa, o que talvez reforce a minha hipótese de inter-relação entre ambos, pois essa luz púrpura está mais nos olhos que no próprio ''grão de poeira'' dito no final, já aparecendo aí uma diferença de tratamento(...afinal, um grão de poeira não tem brilho nem encanto especiais, além de ser ínfimo). Nos três últimos versos, é tratada uma distanciação definitiva entre ambos, contrapondo a escuridão(...a qual ''é um dia'', não sei se em sentido de negação, do tipo...se minha escuridão é um dia, então a noite é um abismo... ou de ser a própria natureza da primeira pessoa, fato normal, ou ambos...) com o longínquo, confuso, e surreal espiral do ''grão de poeira''.
Bem...acho q recuperei o tempo q passei sem posta no teu blog....ahsuahsuhaushuahs
...coitada de ti q vai te q le tudo isso...hehehehe
Como de costume...adorei teu poema Carol...este muito difícil de analisar...estão cada vez mais misteriosos...mais simbólicos...mas por isso mais atraentes....não está complexo, esta com mais segredos, por isso pode ser lido tanto com simplicidade como em uma busca querendo desvendá-lo...
Bjaum!
=************
Estou a espera do próximo...heheheheh!
Realmente tens talento de sobra menina!Estou estupefato!!
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