Saturday, September 23, 2006

Estrela Branca

A poeira na água
E o raio de sol inválido
Entre as cortinas do quarto pela manhã
O esboço desconhecido de uma estrela
Que conseguiu fugir do céu
Para se quebrar antes de cair
Não me permitiram
Juntar os pedaços
Por serem cortantes como vidro

E por mais que me fizessem sangrar
Nunca saberei se minhas mãos
Poderiam conduzi-la ao lugar mais alto
Do qual ela fora obrigada a fugir

E desde então o sol se põe sem a minha permissão
E mesmo que eu encontre pelo que restou da estrela
Sei que vou preferir admirar os pedaços cintilando no chão
Por medo de tentar fazê-la reviver e ser ferida
Tentando inutilmente elevá-la e ser vencida
Pela estupidez de mais uma fraqueza.

1 Comments:

At 9/25/2006 8:30 PM, Anonymous Anonymous said...

Oiii carol!!!

Uma ode ao sol!...=P

Só?!...apesar de tu teres me dito que este era mais simples eu descordo....shuahsuahsuahsuhau...ele não é nem um pouco superficial muito menos um simples hino a esse elemento natural singular ( o que já seria notável)...ou então eu to tentando acha pé em minhoca...hasushuahsuashuah

Assim como o último trabalho, este também tem uma alusão a uma realidade visível. As palavras nos incitam a imaginar cenas, cores e movimentos. Além disso, tenho reparado outra constante em teus poemas. Eles geralmente se referem a uma sublimação, a algo maior, trancendente, que acolhe, que salva, que admira, porém, simultaneamente pode levar a danação e ao sofrimento. No último poema as ''mãos'' cumpriram esse papel. Neste, é o sol e a busca pela sua ''recontrução'' ou ''reavivamento''.
Os primeiros versos são ótimos. Para mim eles foram extremamente cinematográficos. Adoro, quando raríssimamente acordo cedo, abrir a janela do meu quarto e ficar lendo ''lagarteando'' enquanto entram os primeiros raios de sol, que iluminam em tons dourados, sutis, mas não são tão quentes e cansativos. Esse trecho me trouxe certa nostalgia....=]
Na sequência, é dito que a estrela, a representação de ''algo mais alto'' neste poema, como havia dito anteriormente, foge do sol e se quebra. O ''algo mais alto'', brilhante e guia, se desfaz em mim pedaços e ''deixa de ser o que era''. A primeira pessoa parece querer juntar os pedaços dessa ''estrela'', mas é impedido por outrem ( ''Não me permitiram juntar os pedaços...) pela possibilidade desses fragmentos, ou desse ato ferir ( de novo a constância a qual me referia, da dualidade entre a coisa ''maior'' e o sofrimento''
A segunda estrofe é uma lamentação por, devido a repreensão quanto a jurtar os pedaços da estrela quebrada, não poder saber se mesmo com o sofrimento poderia, com as próprias mãos, restituí-la ao título de dona do céu.
O último trecho começa com aquela frase a qual tu tinhas me dito. Como disse, adorei essa frase. Além do significado do poema, ela me faz pensar sobre a inevitabilidade do sol se por. Talvez poucas coisas no nosso mundo sejam tão certas. Queria eu ter a disciplina que a natureza tem...=]...bem...mas voltando...basicamente essa estrofe conta sobre a prefência em contemplar os restos da antiga beleza solar do que agir em uma incerteza quanto a nossa capacidade de superação, além disso, até um questionamento sobre se seria prudente esse reavivamento da estrela ('' Por medo de tantar faze-la reviver eser ferida'').

Mas está ultima estrofe também marcou por me fazer pensar, embora talvez aparte do contexto do poema, sobre como as vezes simples raios de sol são mais bonitos que o próprio sol, como uma rosa é mais bonita num deserto do que em uma roseira e como uma música soa tão mais bela depois de termos ficado anos sem escuta-la. As coisas são mais bonitas quando são unicas e quando brilham apenas o suficiente. Olhar para o sol refletido num lago acalma, mas olha-lo diretamente no céu nos cega.

A cada dia tu melhora mais
=]
Bjaum!
=***************

 

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