Encontro Acidental
A cada erro que cometoEla sempre vem me cobrar
Com seus braços largos e o colo aveludado
Feitos apenas para encantar
Procurei durante noites de sonhos frios
Nela poder dormir e me refugiar
Por de trás da saia perfumada
Como a muralha de um jardim florido
Quis me tornar uma filha livre
Das quedas impostas pelo caminho
Mas voltei com a velha imagem
Daquele espelho partido
Da torre em que Ela habita no final dos mundos.
E posso ver o erro imperdoável da Natureza
Como a tempestade no mar
O sol no deserto
E as rosas vermelhas
Sobre a mármore negra do túmulo
Vida sobre a morte
Um grito para o surdo
Os olhos fechados de um cego
Minha mão de carne e osso
Tocando um rosto desenhado
Na neblina de uma madrugada quase real
Fui deixando de ouvir e sem querer roubando
O que me foi concebido por acaso
E pelo sol que a manhã trouxe
Para iluminar o céu e sangrar meus olhos
Não conseguirei perdoar jamais
O erro de minha própria Mãe.


2 Comments:
Oiiii Carol!
=P
...bom...tu não posto o novo ainda mas como eu passei por aqui hoje posto no antigo msm...q ainda não tinha postado...
...entaum vamos ao que interessa...
Em primeiro lugar é preciso ressaltar o que significa Natureza. Ao meu ver, Natureza parece ser uma concepção do universo como um "organismo", com certa vida e lógica, a qual se manisfesta em todas as coisas e em todos os momentos. No começo do poema ela é apresentada como agente de uma justiça universal, algo semelhante a lei kármica hindu, de ação e reação, pressupondo que nenhum erro ou deslize do caminho passe impune pelos seus olhos e por suas mãos. Analisando essa lei, precisamos acreditar que exista um caminho reto, um caminho perfeito a ser trilhado, pois soh a partir dele podemos conceber o que é errado e o que é deslize...isso daria assundo para uma noite inteira e eu não quero me deter a isso agora senão o post ficará imenso...num momento oportuno desenvolvo melhor a idéia...pois eu sempre vejo um imenso problema em determinar o que é certo e o que é errado.
Prosseguindo, a Natureza também é apresentada como '' a alma do mundo'', a beleza, em certos aspectos, o conforto que existe em algo maior. O mundo torna-se aterrador quando pensamos que nós, o pó, o céu e as estrelas somos feitos da mesma substância e que não há nenhuma saia a qual possamos nos esconder atrás, nenhuma mãe a qual recorrer nos dias de pesadelo. A Natureza é essa mãe no poema, e ela guarda seus filhos na segurança atrás das ''muralhas de um jardim florido''.
Porém, e quando essa muralha tomba? E quando nos sentimos seguros em casa, no nosso tedioso e agradável cotidiano, e então inexplicavelmente o exército do tempo vem cavalgando e incendiando tudo e todos, e o antigo jardim florido vira apenas cinzas e pó? Não é a toa que Cronos devorava seus próprios filhos...Será que a Natureza fraquejou eu defender suas muralhas ou caiu por capricho, para ver a agonia dos próprios filhos? Talvez sua essência não seja de bondade absoluta...ou talvez o caminho que ela traça seja pedregoso...ou talvez aqui e ali ela realmente cometa erros...mas será que chamar de erros é a escolha certa?...o ser humano julga ser errado o que não faz sentido, o que não é perfeito, o que não é acabado, o que é efêmero. Mas isso pressupõe que o mundo é julgado a partir de nossas concepções. Infelizmente, temo que nós não possamos nunca dar sentido a todas as adversidades. Temo que elas não o tenham. Porém, uma coisa é certa: a pedra sofre com as marteladas antes de virar escultura, as cordas do violino sofrem com o contínua esfregar do arco, a tela sofre com o sufocamento da tinta no antigo branco pelo pintor. Pressupondo que os erros da Natureza são como o sofrimento, como a dor, como o desgaste e a desintegração, assim como a radiação do sol no deserto, a violência da tempestade no mar e a mórbida contradição das rosas sobre o túmulo, são delas que se faz a arte, a beleza. Espero que errando desse modo, como a Natureza, durante toda a minha vida, ela se torne uma grande sinfonia, com trechos dramáticos e apoteóticos. Afinal, é do contraste que se fazem as coisas mais belas.
...momento bajulação...
...ahsuhaushauhsuahs...ótimo poema Carol!...mas é sério...sinceramente...mto instigante...faz pensar e isso é interessante...ele é provocativo...porque lida com os modos de cada um apreender o mundo e de dá-lo sentido e coerência...ou não o dar...hehehehe
...o trecho...
''Procurei durante noites de sonhos frios
Nela poder dormir e me refugiar
Por de trás da saia perfumada
Como a muralha de um jardim florido''
...é lindo...mto bem escrito
Bjaum minha provavel futura colega de curso!...heheheheh
...mas não abandone as poesias...=]
=*************
ateh mais!
gostei muito do que vc escreveu, mas os erros são lições, a vida uma aula e a morte não é o fim é apenas uma mudança. e seja onde for, vamos continuar aprendendo algo.
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